Estudo científico, apoiado pelo Governo do Tocantins, visa prevenção do câncer de colo de útero

por Mayrla Bandeira publicado 14/05/2020 16h21, última modificação 14/05/2020 16h21
Segundo a coordenadora da pesquisa, a biomédica e doutoranda em Pesquisa Aplicada à Saúde da Mulher pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jucimária Dantas Galvão, os objetivos são conscientizar as mulheres sobre a importância do exame preventivo, conforme recomendação das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, e estabelecer um teste complementar ao exame citopatológico ou preventivo, que identifique os casos precocemente e permita o encaminhamento imediato ao atendimento especializado para o diagnóstico.

Para rastrear os casos de câncer de colo de útero, por meio de exames em mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos, usuárias do serviço público de saúde do Tocantins, um grupo de pesquisadores está realizando um estudo científico, que visa à inclusão de um teste que permita identificar os casos com maior probabilidade em desenvolver a doença. O projeto conta com o apoio financeiro dos governos Federal e Estadual, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt).

Segundo a coordenadora da pesquisa, a biomédica e doutoranda em Pesquisa Aplicada à Saúde da Mulher pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jucimária Dantas Galvão, os objetivos são conscientizar as mulheres sobre a importância do exame preventivo, conforme recomendação das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, e estabelecer um teste complementar ao exame citopatológico ou preventivo, que identifique os casos precocemente e permita o encaminhamento imediato ao atendimento especializado para o diagnóstico. Este procedimento favorece a redução dos retornos das mulheres às unidades de saúde para repetição de exames e contribui para a redução da incidência de câncer de colo do útero no Tocantins.

Um dos fatores desencadeantes do câncer de colo de útero é o Papiloma Vírus Humano (HPV), que favorece o desenvolvimento da doença, que é progressiva e lenta. Por ter uma fase assintomática, as mulheres precisam se submeter a exames preventivos ou citopatológicos para a identificação de lesões que indiquem atendimento especializado e o diagnóstico. Na dinâmica do estudo, serão realizados atendimentos às mulheres que sinalizam a infecção pelo vírus HPV, com resultados prévios Papanicolau (ASC-US e LSIL).

“Esse público é atendido por ginecologistas que atuam nos Serviços de Referência do Colo, para a realização da coleta de amostras para exames citopatológicos, de DNA-HPV e teste de imunocitoquímica [com a dupla marcação por p16 e Ki67], permitindo uma análise efetiva dos testes comparando aos métodos recomendados para identificar aquelas com lesões precursoras ou câncer do colo uterino”, explica a pesquisadora Jucimária.

Projeto

O estudo recruta 336 mulheres, residentes no Tocantins e na cidade do Rio de Janeiro-RJ, onde as participantes terão acompanhamento especializado. Serão colhidas informações para o banco de dados dos pesquisadores, que servirão para compor a análise e os testes estatísticos para a hipótese. As amostras serão encaminhadas ao Laboratório Central do Tocantins (Lacen) e aos laboratórios parceiros (Laboratório da Unisa/SP, Laboratório EuroImunn/SP e Laboratório do IFF da Fundação Oswaldo Cruz ) para a realização dos referidos testes.

O projeto intitulado Efetividade da marcação combinada de P16 e Ki 67 na referência de mulheres com citopatologia ASC-US ou LSIL para colposcopia foi iniciado em outubro de 2019 e tem previsão para ser concluído em 24 meses. O projeto encontra-se suspenso devido à pandemia da Covid-19 e, assim que a situação for normalizada, o estudo será retomado, visando à melhoria do serviço público.

Equipe Técnica

O projeto é coordenado pela pesquisadora Jucimária Dantas Galvão, atual diretora do Laboratório Central do Tocantins, da Secretaria de Estado da Saúde (SES/TO), e conta com a participação do professor doutor Fábio Russomano, diretor do IFF/Fiocruz; do professor doutor Marco Antonio Zonta, pesquisador e professor da Unifesp; do professor doutor Zilton Vasconcelos, coordenador do Laboratório de Alta Complexidade do IFF/Fiocruz; da mestre Priscila Diniz, enfermeira da SES-TO, de médicos e graduandos em medicina. Todos com vínculos com instituições de ensino superior e/ou de pesquisa.  

Apoio financeiro

O estudo é financiado pelo Governo Federal, por meio do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), que é uma iniciativa de fomento à pesquisa em saúde nos estados. É coordenado pelo Ministério da Saúde, gerenciado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e conta com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) que acompanha as etapas operacionais, avaliação e resultados das pesquisas. No Tocantins, é executado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt).

“O papel da Fapt é de suma importância no gerenciamento dessas pesquisas, pois incentiva a comunidade científica a desenvolver trabalhos de interesse público que trazem benefício à sociedade. O papel do pesquisador tem grande relevância social, pois é ele que executa e elabora os relatórios técnicos científicos, resultados das pesquisas para subsidiar a tomada de decisão do gestor de saúde local”, explica o presidente da Fundação, Márcio Silveira.

 

 

FONTE: PORTAL DO TOCANTINS