Naturatins alerta população para não domesticar animais silvestres

por crt publicado 25/09/2017 14h47, última modificação 25/09/2017 14h47
Segundo o profissional vale ressaltar a importância de não manter animal silvestre em cativeiro, pois o mesmo pode transmitir várias doenças e causar acidentes graves à pessoa que o retém.
Naturatins alerta população para não domesticar animais silvestres

Segundo o profissional vale ressaltar a importância de não manter animal silvestre em cativeiro, pois o mesmo pode transmitir várias doenças e causar acidentes graves à pessoa que o retém.

O Centro de Fauna (Cefau), do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) orienta a população para não retirar qualquer representante de espécies de animais silvestres da natureza. Reforça ainda que caso seja encontrado algum filhote perdido ou um animal silvestre ferido que o órgão ambiental seja comunicado imediatamente pelos números 3218-2677, Linha Verde 0800 63 11 55, ou em quaisquer um dos 15 escritórios regionais, para que todas as providências sejam tomadas, no sentindo de manter o animal vivo e em segurança.

Na terça-feira, 19, a fiscalização do Escritório Regional do município de Lagoa da Confusão, cidade a cerca de 120 km de Palmas recebeu o pedido para o recolhimento de um macaco prego. O chamado ocorreu em virtude de um acidente, quando a família fez a entrega voluntária. O animal foi recolhido depois de ser mantido por 12 anos em cativeiro, sendo alimentado de forma totalmente errada e ainda mantido preso a uma corrente.

Conta o biólogo do Naturatins, Eder Jofre Alves Wanzeler, que no dia 20, o animal foi recolhido em Lagoa da Confusão e encaminhado para o Cefau, localizado em Palmas. “O Naturatins foi acionado em razão de um acidente, quando um macaco que era mantido preso por uma família, mordeu, ferindo gravemente, uma criança”, esclareceu.

Segundo o profissional vale ressaltar a importância de não manter animal silvestre em cativeiro, pois o mesmo pode transmitir várias doenças e causar acidentes graves à pessoa que o retém. “O animal silvestre em contato prolongado com humanos, acaba por ter alterações naturais no seu comportamento. Pois adquire hábitos humanos, o que dificulta a reintrodução dos mesmos no ambiente natural”, esclareceu.

A supervisora da Fauna do Naturatins, a veterinária Grasiela Pacheco, explica que muitas pessoas, ao encontrar um filhote de primata, acha o animal bonito, dócil e muito atraente devido às características próximas ao ser humano. Mas segundo ela, quanto maior as semelhanças, maior é a facilidade na transmissão de zoonoses por meio do convívio próximo.

A gestora disse ainda que esses primatas, enquanto filhotes, atraem pela doçura, mas com a maturidade sexual, o extinto selvagem aflora, e com o manejo equivocado, podem ficar agressivos e ocorrer acidentes.

Confinamento

“O incidente ocorreu devido ao contexto em que o animal se encontrava, o confinamento gera estresse, pois a liberdade é o maior bem do ser vivo”, afirmou à veterinária.

Na visão da supervisora, outro fator relevante, é a questão nutricional, porque além da dificuldade em reproduzir os alimentos encontrados na natureza, é necessário conhecimento técnico. A alimentação inapropriada também resulta em problemas de saúde e sofrimento aos animais.

Conforme a veterinária, as pessoas devem se sensibilizar e não interferir na vida dos animais silvestres. Ela chama a atenção para o respeito. “Eles já sofrem com a perda do ambiente natural, as queimadas, caça, barramentos nos rios, tráfico de animais silvestres, já que o Tocantins está na rota. E ainda existe essa cultura de retirar os animais da natureza e criar ilegalmente em casa”, enfocou.

Grasiela Pacheco relata que, ao retirar um animal silvestre da natureza, não se perde apenas um indivíduo, perde-se a função biológica em razão deste animal deixar de participar da cadeia alimentar. “Os macacos como outros animais são dispersores de sementes. Ao comer uma fruta, as sementes contidas nas fezes são espalhadas no solo, produzindo novas árvores. Além do mais, esses indivíduos vão deixar de perpetuar suas espécies”, considerou.

De acordo com a supervisora, quanto mais tempo o animal silvestre fica em confinamento domiciliar, mais longa será sua reabilitação para retornar a natureza, o que gera muito trabalho especializado e custos. “Vamos mudar essa ideia de ter um animal silvestre ilegal como pet", concluiu

 

Fonte: Portal do Tocantins